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Clouzot, Hitchcock e o suspense

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Clouzot, Hitchcock e o suspense

 

Cena do filme 'O assassino mora no 21 (L’assassin habite... au 21)', de Henri-Georges Clouzot — Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O assassino mora no 21 (L’assassin habite... au 21)', de Henri-Georges Clouzot — Foto: Divulgação

Cena do filme 'O assassino mora no 21 (L’assassin habite... au 21)', de Henri-Georges Clouzot — Foto: Divulgação

 

A propósito da retrospectiva de Henri-Georges Clouzot (1907-1977), que o Instituto Moreira Salles promove em parceria com o Institut Français e a Cinemateca da Embaixada da França, volta-se a falar em Alfred Hitchcock (1899-1980), a quem o cineasta francês é frequentemente comparado.

Cinco filmes de Clouzot serão exibidos nas salas do IMS, de 13 a 21 de junho em São Paulo e de 20 a 26 no Rio. O mais antigo, “O assassino mora no 21 (L’assassin habite... au 21)”, é do tempo em que Clouzot trabalhava para produtora alemã durante a ocupação nazista. Por seu talento, ele seria perdoado pela França livre. Outro filme, “O mistério de Picasso (Le mystère Picasso)”, é um documentário sobre 20 telas criadas pelo grande artista especialmente para o diretor.

Há ainda mais dois documentários, estes sobre Clouzot, realizados, um por Pierre Henri Gibert, outro por Serge Bromberg e Ruxandra Medea. Mas o que aproxima o francês de Hichcock é “As diabólicas (Les diaboliques)”, de 1955, o filme de maior bilheteria em toda a obra de Clouzot.

Bem que Hitchcock quis comprar os direitos do romance “Celle qui n’etait plus”, dos franceses Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Mas Clouzot chegou na frente e fez do livro “As diabólicas”. Para não ficar atrás outra vez, Hitchcock garantiu a compra de “D’entre les mort”, romance dos mesmos Boileau & Narcejac, e transformou-o em “Um corpo que cai (Vertigo)”. Na opinião de muitos, seu melhor filme.

 

Há quem compare os dois diretores por cenas de seus trabalhos de maior sucesso de público, “As diabólicas” e “Psicose”. As duas cenas, ambas passadas em banheiros, são as mais impactantes de cada um dos dois thrillers.

Em “As diabólicas”, um professor (Paul Maurise) –– a quem a mulher (Vera Clouzot, brasileira, então casada com o diretor do filme) supunha ter assassinado com a ajuda da amante dele (Simone Signoret) –– sai de banheira cheia d´água como se emergindo do mundo dos mortos. Cardíaca, a mulher morre do susto ali mesmo. Em “Psicose”, a mãe do dono de um motel (Anthony Perkins) mata a facadas sua única hóspede (Janet Leigh), enquanto ela se banha no chuveiro.

São cenas distintas, cuja analogia só cabe quando se pensa em como seria “As diabólicas” se Hitchcock, e não Clouzot, tivesse comprado o romance. Até a música que ilustra cada uma não combina. A de Georges Van Parys para Clouzot é discreta, quase imperceptível. A de Bernard Herrmann para Hitchcock é descritiva, altissonante, com uma força que faz dela o até hoje muito imitado som de “Psicose”.

Saindo do tema Clouzot, uma curiosidade: Hitchcock queria a cena do chuveiro silenciosa. Quer dizer, sem música, ilustrada apenas pela reação de Janet Leigh a cada facada. Teimoso, Herrmann criou com seus violinos estranha “música” para marcar o golpes com algo entre lancinante voz humana e agudíssimo grito de pássaro. Lembrete: quando acontecia de ser ele mesmo, o personagem de Perkins era um tímido e tranquilo empalhador de pássaros.

G1

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