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Em pronunciamento, Bolsonaro defende uso da cloroquina para tratamento do coronavírus

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Em pronunciamento, Bolsonaro defende uso da cloroquina para tratamento do coronavírus

Na comunidade cientifica, não há consenso sobre o assunto.

08/04/2020 23h02  Atualizado há 11 minutos

 

Em pronunciamento, Bolsonaro defende uso da cloroquina para tratamento do coronavírus

Em pronunciamento, Bolsonaro defende uso da cloroquina para tratamento do coronavírus

 

O presidente Jair Bolsonaro defendeu o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19. Na comunidade cientifica, não há consenso sobre o assunto.

A Organização Mundial da Saúde diz que a cloroquina é um medicamento promissor, mas alerta que ainda não há evidências científicas suficientes para assegurar a eficácia e a segurança desse tratamento contra a Covid-19.

O Ministério da Saúde liberou, na semana passada, o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, uma versão menos tóxica, para pacientes graves, hospitalizados, com acompanhamento médico. O Ministério Saúde publicou na segunda-feira (6) um guia com orientações, mas deixou claro que os estudos ainda não são conclusivos.

O documento ressalta que, por isso, os resultados devem ser interpretados com cautela. E conclui: isso significa que não temos certeza sobre qualquer efeito da hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19.

O debate sobre o uso da cloroquina fez o medicamento sumir das farmácias, prejudicando quem precisa dele para tratar outras doenças como a malária e o Lúpus. Nesses casos, a eficácia da cloroquina foi comprovada.

O Ministério da Saúde está monitorando nove ensaios clínicos que estão sendo feitos no Brasil sobre medicamentos promissores no tratamento à Covid-19, entre eles a cloroquina e a hidroxicloroquina. Vários centros de pesquisa no Brasil estão envolvidos. O objetivo do governo é avaliar a eficiência e a segurança desse tratamento.

Os primeiros resultados devem ficar prontos no próximo dia 20. O risco da cloroquina, segundo o Ministério da Saúde, é que ela pode provocar uma arritmia cardíaca fatal.

“O que que nos preocupa no curto prazo? É o potencial de gerar arritmias cardíacas. Aqui eu queria detalhar um pouco isso para que fique claro o potencial desse evento adverso. O coração é uma bomba que depende de uma ativação de um sistema elétrico próprio. Esse medicamento, tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina, pode produzir um prolongamento de uma das fases, dessa fase elétrica do coração, e propiciar e criar um ambiente favorável a uma arritmia, que pode ser potencialmente fatal”, explicou Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos.

Mesmo com os estudos científicos ainda em andamento, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse, na terça-feira (7), que o médico pode receitar o remédio se achar conveniente e se o paciente estiver de acordo.

“Nós já liberamos cloroquina e hidroxicloroquina tanto para os pacientes críticos, que são aqueles que ficam dentro de CTIs, já liberamos para qualquer paciente que se interne no hospital, que sejam aqueles que são os moderados. Isso aí já é o medicamento, já é dispensado, já é entregue, já tem protocolo, e nós estamos analisando agora nessas formas anteriores aos leves, que é onde pode haver ainda algum tipo de senão”, esclareceu.

Na manhã desta quarta (8), Mandetta se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Na entrevista coletiva à tarde, o ministro chamou a atenção para o risco dos efeitos colaterais da cloroquina.

“Será que seria inteligente dar um remédio para 85% das pessoas que não precisam desse remédio? E um remédio que tem efeitos colaterais? Será que vale a pena? Sem saber se é coronavírus e ainda assim colocando esse medicamento. Vamos dar para aqueles que têm mais de 60 anos, mais de 70, mais de 80. Ora, esses que são os que mais podem complicar. Que mais vão para CTI. Também são os mesmos que têm maior parte já de problema cardíaco, de problema hepático”, questionou.

Até esta terça, o site do CDC, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano, trazia diversas informações de estudos sobre a hidroxicloroquina. Ao fim, informava não haver ainda dados suficientes para orientar sobre o uso clínico das substâncias no tratamento da Covid-19. Mas registrava até as dosagens que vêm sendo utilizadas por médicos nos Estados Unidos.

Nesta quarta, no entanto, a página não traz mais nada disso. Com bem menos informações, explica apenas que as substâncias estão sendo submetidas a testes clínicos e tratamento de vítimas da Covid-19, e registra a autorização emergencial de uso dos remédios pelo governo americano para adultos com a doença.

Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fiocruz, diz que é preciso ter cuidado com esse tratamento.

“Até o momento, nós não podemos dizer que haja nenhuma informação científica metodologicamente defensável que tenha mostrado resultados robustos com uso desses medicamentos isolado ou associado a outros”, explicou.

A especialista Natália Pasternak diz que o risco é muito alto para administrar o remédio sem os devidos estudos científicos.

“Esses médicos e virologistas que estão falando que a gente precisa usar a cloroquina para salvar vidas esqueceram que primeiro a gente precisa demonstrar que esse medicamento realmente salva alguma vida e não piora a doença e pode até acelerar a morte. A maior parte dos médicos e alguns virologistas que estão defendendo o uso desse medicamento estão pressupondo aquilo que eles deveriam demonstrar”, observou.

G1

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