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Em reunião com Aras, senadores pedem esclarecimento a respeito de declarações sobre a Lava Jato

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Em reunião com Aras, senadores pedem esclarecimento a respeito de declarações sobre a Lava Jato

Nesta terça, procurador-geral disse que é hora de 'corrigir rumos' para que 'lavajatismo não perdure'. Segundo PGR, no encontro, Aras disse que 'combate à corrupção está garantido'.

Por Sara Resende e Gustavo Garcia, TV Globo e G1 — Brasília

29/07/2020 19h58  Atualizado há uma hora

 

Aras diz que é hora de 'corrigir rumos' para que 'lavajatismo não perdure'

Aras diz que é hora de 'corrigir rumos' para que 'lavajatismo não perdure'

 

Um grupo de senadores participou nesta quarta-feira (29) de uma reunião virtual com o procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras. Os parlamentares solicitaram a reunião com o objetivo de esclarecer declarações feitas pelo PGR nesta terça-feira (28).

Em transmissão pela internet, Aras disse que é hora de "corrigir rumos" para que o "lavajatismo" passe e seja substituído no Ministério Público (MP) por outro modelo de enfrentamento à criminalidade. Segundo ele, a "correção de rumos não significa redução do empenho no combate à corrupção".

Participaram do debate com o PGR os senadores Álvaro Dias (Pode-PR), Marcos do Val (Pode-ES), Oriovisto Guimarães (Pode-PR), Eduardo Girão (Pode-CE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Major Olimpio (PSL-SP).

Segundo a PGR, no encontro, Aras afirmou que "o combate à corrupção está garantido em sua administração". Ainda segundo o órgão, o procurador acrescentou: "O PGR não pretende se imiscuir na atividade-fim, que é onde se situa a independência funcional. Nós, da PGR, não cuidamos de fins, mas de prover meios para um combate eficiente à macrocriminalidade."

Olimpio explicou que o grupo defendeu a "continuidade e o fortalecimento" da Lava Jato, além de pedir "de forma enfática" que Aras reveja seus posicionamentos. De acordo com o líder do PSL, a videoconferência teve clima "amistoso". Segundo Olimpio, Aras disse que não existe uma “caça às bruxas”.

Alessandro Vieira afirmou que a reunião foi "respeitosa", mas que Aras não deu uma resposta concreta às "cobranças firmes por parte dos senadores".

"As manifestações e ações do procurador-geral da República militam contra o combate à corrupção, enfraquecem a credibilidade do próprio Ministério Público Federal e foram objeto de crítica por parte de senadores que questionaram diretamente ao procurador-geral, Augusto Aras, sobre o conteúdo de várias ilações que ele vem ventilando na imprensa e em reuniões reservadas", declarou o senador do Cidadania.

O senador Marcos do Val relatou que Aras disse ser um "lavajatista", assim como os parlamentares. Conforme o senador, o PGR esclareceu que a intenção dele é que a corregedoria do Ministério Público possa "fiscalizar e monitorar a atuação dos procuradores" para garantir que essa atuação seja "inquestionável e inviolável".

"Ele [Aras] nos prometeu que a Lava Jato não vai ser interrompida nem enfraquecida", afirmou Marcos do Val.

força-tarefa da operação Lava Jato, em Curitiba, repudiou na tarde desta quarta o posicionamento do procurador-geral da República.

Segundo a força-tarefa, do MPF no Paraná, as declarações de Aras de que existem "caixas de segredos" no trabalho dos procuradores e de que "haveria milhares de documentos ocultos" são falsas.

Para o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), se há "caixa preta" da Lava Jato, ela "precisa ser aberta".

"De acordo com o procurador-geral, Aras, são 50 mil documentos que ninguém conhece. Que história é essa? Dados de nada mais nada menos que 38 mil pessoas. E para piorar, tais arquivos não integram o MPF, ou seja, um poder paralelo. Tudo isso precisa ser interrompido para o bem do Brasil", avaliou Carvalho, que não integrou o debate virtual com o PGR.

O líder do Podemos no Senado, Álvaro Dias, ressaltou que os parlamentares requisitaram a Aras o "não questionamento de sentenças já consagradas" e argumentou que houve "165 condenações em primeira e segunda instância" como resultado da Lava Jato.

Na reunião, os senadores, que integram um grupo de mais de 20 parlamentares chamado "Muda Senado", conhecido por defender pautas de combate à corrupção, afirmaram ao PGR que a sociedade não aceita "retrocessos" nessa área.

"Dedico grande parte de meu tempo como senador lutando pelo fim do foro privilegiado e pela instauração da prisão em segunda instância. No momento existe em curso uma intensa movimentação para acabar com a Lava Jato e para desqualificar todos os atores públicos responsáveis pelo êxito dessa operação. Não podemos permitir esta inversão absurda que pretende absolver todos os que foram condenados pela Lava Jato e ao mesmo tempo condenar todos os responsáveis pela existência desta operação", declarou o senador Oriovisto Guimarães (Pode-PR).

A Operação Lava Jato foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março de 2014. O objetivo inicial era o de desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro que atuou, por exemplo, dentro da Petrobras. A operação resultou na prisão de políticos de grande expressão nacional.

  • G1

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