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Gaeco começa a ouvir funcionários da Cohab em investigação que apreendeu R$ 1,6 milhão em Bauru

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Gaeco começa a ouvir funcionários da Cohab em investigação que apreendeu R$ 1,6 milhão em Bauru

Operação investiga desvio e lavagem de dinheiro em acordos feitos com quatro construtoras.

 

Prefeitura vai extinguir a Cohab em Bauru — Foto: TV TEM/ReproduçãoPrefeitura vai extinguir a Cohab em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

Prefeitura vai extinguir a Cohab em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

 

A segunda fase da Operação João de Barro, que investiga desvio e lavagem de dinheiro na Cohab, começou nesta quinta-feira (16), quando o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) começa a análise de documentos e materiais digitais apreendidos no final do ano passado.

Os promotores também vão ouvir os funcionários, pessoas ligadas à Cohab e às construtoras que têm os contratos investigados. A prefeitura anunciou a liquidação da companhia no final do ano passado, depois da operação.

Os alvos da investigação, que contou com apoio das polícias Militar e Federal, são acordos feitos com quatro construtoras sem homologação da Justiça e com indícios de irregularidades que favoreciam as empresas.

Na época, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos endereços relacionados à companhia.

O Gaeco apreendeu mais de R$ 1,6 milhão e grande quantidade de dinheiro em notas estrangeiras na casa do ex-presidente da Cohab, Edson Gasparini Júnior, que pediu afastamento da função após a ação dos promotores.

 
Mais de R$ 1,6 milhão foram apreendidos durante operação do Gaeco em Bauru — Foto: Arquivo pessoalMais de R$ 1,6 milhão foram apreendidos durante operação do Gaeco em Bauru — Foto: Arquivo pessoal

Mais de R$ 1,6 milhão foram apreendidos durante operação do Gaeco em Bauru — Foto: Arquivo pessoal

Segundo o atual presidente da Cohab, Arildo Lima Júnior, a nova diretoria da empresa voltou às atividades após as férias e está se organizando para atender às solicitações do Gaeco.

"Nós estamos 'tomando o pé' da empresa. Todas as dívidas, os passivos que ela possui, os ativos imobiliários, a carteira de mutuários ainda ativos, que são quase 7 mil contratos hoje. Toda essa dívida junto à Caixa Econômica Federal, fazendo todo o levantamento do patrimônio imobiliário", explica o presidente.

A operação, segundo o Gaeco, deve durar pelo menos mais seis meses. Neste cenário, é importante lembrar que os mutuários devem continuar pagando as parcelas habitacionais.

 

Liquidação

 

 
Prefeitura anunciou a extinção da Cohab durante reunião em Bauru — Foto: TV TEM / Reprodução Prefeitura anunciou a extinção da Cohab durante reunião em Bauru — Foto: TV TEM / Reprodução

Prefeitura anunciou a extinção da Cohab durante reunião em Bauru — Foto: TV TEM / Reprodução

A liquidação da Cohab, que foi anunciada no final do ano passado, será feita em quatro etapas. Um acordo entra a prefeitura e a Caixa Econômica Federal para o parcelamento da dívida da Cohab com FGTS é a primeira etapa do plano. A dívida é de R$ 430 milhões.

Segundo o presidente, para que o acordo com a Caixa entre em vigor, a ata de posse da nova diretoria da Cohab precisa ser registrada junto a Jucesp, em São Paulo. Por isso, a Cohab aguarda o registro retornar para Bauru para assinar o acordo.

"Esse acordo está sendo bastante benéfico para a Cohab e para a prefeitura, pois tem desconto de pontualidade de 50% da dívida. A dívida estava na casa de R$ 850 milhões e estamos fazendo por R$ 430 milhões. Destes, a companhia pagará parte desse valor mensal durante 20 anos e parte, a prefeitura de Bauru vai pagar", esclarece o presidente.

As outras etapas consistem em um plano de demissão voluntária dos 65 funcionários, venda imóveis da companhia e transferência da carteira de mutuários para um banco, que deve receber o dinheiro das parcelas e repassar o valor referente a 7 mil contratos regentes para a prefeitura.

 

Investigação do Gaeco

 

principal alvo da investigação são acordos da companhia com construtoras. Segundo o Gaeco, há indícios nas investigações, que ainda estão na fase inicial, de irregularidades nesses acordos, que estariam favorecendo as construtoras investigadas.

De acordo com os promotores, são investigadas inicialmente quatro construtoras, duas em Bauru e duas em Marília, que teriam contratos com a companhia que é responsável por construções de casas populares.

Essas construtoras teriam acionado a Cohab na Justiça para receber valores devidos ou por quebra de contrato e a companhia teria feito acordos com elas sem a homologação da Justiça, inclusive alguns deles sequer tinham a assinatura dos advogados contratados pela Cohab.

 
Gaeco faz operação para combater desvio de dinheiro público na Cohab de Bauru — Foto: Giuliano Tamura/TV TEMGaeco faz operação para combater desvio de dinheiro público na Cohab de Bauru — Foto: Giuliano Tamura/TV TEM

Gaeco faz operação para combater desvio de dinheiro público na Cohab de Bauru — Foto: Giuliano Tamura/TV TEM

Em um dos casos, que a Cohab devia uma nota promissória no valor de R$ 198 mil a uma das empresas, a dívida foi quitada com um imóvel avaliado em quase R$ 2 milhões.

Outros casos que também chamaram a atenção do Gaeco eram dívidas que ainda estavam em fase de contestação na Justiça e a Cohab já fazia o pagamento por meio de amortizações com parcelas que variavam de R$ 25 mil a R$ 50 mil, antes mesmo do Judiciário definir o valor a ser pago.

Uma das empresas, inclusive, foi condenada em 2004 pelo crime de litigância de má-fé, ou seja, agiu de forma irregular causando prejuízos a companhia e mesmo assim, a Cohab continuou a fazer pagamentos e acordos com a construtora. Só em 2017 o valor foi mesmo executado.

No entendimento do Gaeco, a Cohab demorava para receber os valores e pagava de forma muito fácil as empresas mesmo vivendo uma crise financeira com dívidas milionárias. Ainda segundo as investigações, os prejuízos acumulados crescem em larga escala e contas estão sendo rejeitadas pelo Tribunal de Contas.

 

Dinheiro em mala e gavetas

 

A operação que apura indícios de desvio de verbas na companhia recebeu o nome de João de Barro e foi deflagrada na terça-feira.

Na casa do ex-presidente da companhia, Edison Gasparini Júnior, em um condomínio de alto padrão, foram apreendidos mais de R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo, além de 30 mil em dólares, euros e libras.

A maior quantidade de reais estava dentro de uma mala e em blocos com notas de R$ 100. Também foram encontradas notas em gavetas da casa. (Veja vídeo abaixo).

Gaeco apreende R$ 1,6 milhão durante operação que apura desvios na Cohab

Gaeco apreende R$ 1,6 milhão durante operação que apura desvios na Cohab

Edson Gasparini Júnior solicitou seu afastamento da presidência no mesmo dia. Em nota, enviada pela assessoria de imprensa da prefeitura, ele justificou o afastamento para que as investigações possam ocorrer sem qualquer interferência e com total transparência a fim de apuração de todos os fatos.

 
Foram apreendidas notas estrangeiras também durante a operação do Gaeco em Bauru  — Foto: Gaeco/ DivulgaçãoForam apreendidas notas estrangeiras também durante a operação do Gaeco em Bauru  — Foto: Gaeco/ Divulgação

Foram apreendidas notas estrangeiras também durante a operação do Gaeco em Bauru — Foto: Gaeco/ Divulgação

A investigação começou em outubro do ano passado, quando foram analisados quatro acordos firmados pela Cohab Bauru junto a construtoras no âmbito de processos judiciais detalhadas acima. Viagens internacionais feitas pelos investigados também são analisadas. Em um dos casos, um dos investigados fez seis viagens com a família no prazo de um ano.

Foram cumpridos mandados de busca em 14 residências de representantes, sócios e construtoras da Cohab, sendo 10 em Bauru, dois em Marília, um em Arealva e um em Brasília.

Gaeco faz operação para combater desvio de dinheiro público na Cohab de Bauru

Gaeco faz operação para combater desvio de dinheiro público na Cohab de Bauru

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