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Investigação aponta assessor de Bolsonaro como responsável por página derrubada pelo Facebook

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Investigação aponta assessor de Bolsonaro como responsável por página derrubada pelo Facebook

Tercio Arnaud Tomaz é assessor especial do presidente Jair Bolsonaro com gabinete no Palácio do Planalto.

08/07/2020 22h50  Atualizado há 59 minutos

Assessor de Bolsonaro é responsável por página derrubada pelo Facebook, diz investigação

Assessor de Bolsonaro é responsável por página derrubada pelo Facebook, diz investigação

 

O Laboratório Forense Digital DRF conduziu as investigações que levaram o Facebook a remover os perfis ligados ao presidente Bolsonaro.

Entre as páginas derrubadas nesta quarta-feira (8) pelo Facebook está o perfil Bolsonaro News. Ele é anônimo e não informa quem é o responsável pelas publicações. Mas a investigação descobriu que o e-mail usado para registrar o perfil era de Tercio Arnaud Tomaz. Ele já foi assessor de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Hoje é assessor especial do presidente Jair Bolsonaro com gabinete no Palácio do Planalto. Salário de quase R$ 14 mil por mês e apartamento funcional.

Publicações da página dele atacam adversários políticos de Bolsonaro, como o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e até ex-ministros do governo, como Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro.

Moro comentou a decisão do Facebook. Disse que "foi alvo da rede de mentiras que age por motivos político-partidários. Pessoas que perderam qualquer senso de decência."

A investigação também identificou dois assessores do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, atuando na rede desses perfis. Eduardo Guimarães já havia sido apontado pela CPI mista das fake news como criador e administrador de páginas que faziam ataques contra adversários do presidente. Esses perfis já haviam sido retirados pelo Facebook. Nesta quarta, perfis pessoais de Eduardo Guimarães também foram removidos.

O outro assessor de Eduardo Bolsonaro, Paulo Eduardo Lopes, conhecido como Paulo Chuchu, é apontado na investigação como um dos principais operadores da rede derrubada pelo Facebook. É o que afirma a responsável pela análise dos dados e chefe para a América Latina do Laboratório Forense de Pesquisa Digital DRF, Luísa Bandeira.

“O Eduardo Bolsonaro tem um assessor chamado Paulo Eduardo, conhecido como Paulo Chuchu, que fazia parte dessa rede. Ele registrou, por exemplo, um site que era um site teoricamente de notícias independentes, mas que na verdade era pró-Bolsonaro. Ele é um dos coordenadores da Aliança, o partido que o Bolsonaro está tentando formar, ele é um dos coordenadores da Aliança em São Bernardo do Campo. Então esse site, eles tinham um grupo no Facebook também, que faziam passar por notícias independentes, por jornalismo independente, quando na verdade é um esforço de propaganda ligado, nesse caso, a um assessor do Eduardo Bolsonaro”, explica Luísa Bandeira.

As mensagens dessa rede de apoio ligada ao presidente Jair Bolsonaro começaram antes da eleição presidencial. Mas se intensificaram muito do fim de 2019 para cá, quando foram feitos sistemáticos ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal, ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e a outras autoridades classificadas pelo grupo de adversárias políticas de Bolsonaro.

A atuação dessa rede de ataques se manteve até mesmo depois da instalação da CPI das fake News no Congresso e da abertura dos inquéritos no STF.

“A atividade principal que a gente vê delas foi no final de 2019, início de 2020. Então, tem muitas coisas relacionadas à Covid. Tem muitas coisas, como eu falei, sobre o Congresso, sobre o STF. Então, essa rede estava atuando com muita força agora até ela ser retirada do ar pelo Facebook. O que se estava tentando fazer ali era criar uma narrativa e uma ideia de que aquelas pessoas eram pessoas que deveriam ser desqualificadas por vários motivos distintos”, afirma Luísa Bandeira.

A relatora da CPMI das fake news, deputada Lídice da Mata, do PSB, disse que a retirada dos perfis ligados ao presidente Bolsonaro comprova o que já mostraram as investigações do Congresso.

“Acho que tudo isso deve ser incorporado ao nosso relatório como comprovação de ações que são irregulares de deputados e seus assessores, muitos desses usando dinheiro público, porque sustentados pelo dinheiro público. É uma questão grave porque confirma a direção da nossa investigação”, afirma Lídice da Mata.

O Jornal Nacional entrou em contato com Tércio Arnaud Tomaz, Eduardo Guimarães, Paulo Eduardo Lopes, o vereador Carlos Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro e com o Palácio do Planalto, mas ainda não tivemos resposta.

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