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Maior artilheiro do Flu, Waldo luta contra o Alzheimer e não lembra que foi jogador

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Maior artilheiro do Flu, Waldo luta contra o Alzheimer e não lembra que foi jogador

Pouco falado no Brasil, ex-atacante está com 83 anos e sofre com a perda de memória. Ele vive em uma clínica de Valência sob cuidados de médicos e enfermeiros

 
Maior artilheiro do Flu, Waldo luta contra o Alzheimer e não lembra que foi jogadorMaior artilheiro do Flu, Waldo luta contra o Alzheimer e não lembra que foi jogador
 

Por Ivan Raupp, Valência, Espanha

 

É uma pergunta simples, mas não tão fácil de ser respondida: quem é o maior artilheiro da história do Fluminense? Muitos logo pensam em Fred, mas o atacante que defende o Atlético-MG é o terceiro da lista. A liderança isolada é de um matador que prestou seus serviços ao Tricolor de 1954 a 1961: Waldo Machado da Silva, mais conhecido somente como Waldo.

Foram 319 gols marcados em 403 jogos disputados - o segundo da lista é Orlando Pingo de Ouro, com 184 gols, e Fred vem em terceiro, com 172.

Depois do Flu, Waldo se tornou ídolo do Valencia, onde jogou de 1961 a 1969, e teve ainda uma passagem pelo Hércules-ESP, entre 1969 e 1971. Como fez a vida na Espanha e raramente veio ao Brasil desde então, as notícias sobre ele acabaram se tornando escassas em sua própria terra. Mas o GloboEsporte.com foi atrás e infelizmente se deparou com uma difícil realidade atual do ídolo tricolor.

 
Waldo em sua última entrevista, em julho do ano passado (Foto: Alberto Iranzo)Waldo em sua última entrevista, em julho do ano passado (Foto: Alberto Iranzo)

Waldo em sua última entrevista, em julho do ano passado (Foto: Alberto Iranzo)

Waldo está com 83 anos e sofre de Alzheimer. A doença está em estágio avançado, o que apagou toda a sua memória. Ele não lembra, por exemplo, que foi jogador de futebol, e muito menos faz ideia de que é o maior artilheiro da história do Fluminense.

Vive em uma clínica de Valência, onde está sob cuidados de médicos e enfermeiros. Recebe visitas regulares dos filhos - não tem esposa, não se casou. E conta com a ajuda da Associação de Ex-jogadores do Valencia. O presidente da associação, Fernando Giner, visita Waldo semanalmente na clínica.

Por motivos óbvios, uma entrevista com Waldo não foi possível. Os médicos que cuidam do ex-jogador não foram autorizados a falar. Os filhos - são quatro: três brasileiros e um espanhol - optaram pela privacidade. O único que aceitou conversar com a reportagem foi Fernando Giner.

 

- O Alzheimer do Waldo está muito avançado. Ele não lembra de nada, nem que foi jogador de futebol. Não lembra da família, nada. Piorou muito nos últimos seis meses - comentou Giner.

Segundo o presidente da associação, o Alzheimer de Waldo começou há alguns anos. O problema foi se agravando, e cerca de um ano e meio atrás os filhos resolveram levá-lo para a clínica.

 
Waldo recebe atenção de Fernando Giner, presidente da Associação de Ex-jogadores do Valencia (Foto: Alberto Iranzo)Waldo recebe atenção de Fernando Giner, presidente da Associação de Ex-jogadores do Valencia (Foto: Alberto Iranzo)

Waldo recebe atenção de Fernando Giner, presidente da Associação de Ex-jogadores do Valencia (Foto: Alberto Iranzo)

Em julho do ano passado, o antigo craque concedeu sua última entrevista, para o jornal espanhol "As". Ali ele já havia esquecido a maior parte da carreira, e foi quando seu entorno resolveu não permitir mais o contato com a imprensa.

A última visita de Waldo ao Brasil e ao Fluminense ocorreu no fim de 2012, ano em que o clube conquistou o tetra do Campeonato Brasileiro. Na época, ele viajou ao Rio de Janeiro justamente para o lançamento de sua biografia, "Waldo, o artilheiro", escrita por Valterson Botelho.

 
Fred e Waldo em 2012; busto do ex-atacante encontra-se na sala de troféus do Flu e foi cedido por Valterson Botelho, autor de sua biografia (Foto: Bruno Haddad / Fluminense FC)Fred e Waldo em 2012; busto do ex-atacante encontra-se na sala de troféus do Flu e foi cedido por Valterson Botelho, autor de sua biografia (Foto: Bruno Haddad / Fluminense FC)

Fred e Waldo em 2012; busto do ex-atacante encontra-se na sala de troféus do Flu e foi cedido por Valterson Botelho, autor de sua biografia (Foto: Bruno Haddad / Fluminense FC)

- Peço até desculpa porque estou fora do Brasil desde a década de 1960. Vim ao Fluminense para essa homenagem e estou muito agradecido. Quando cheguei ao clube tive a sorte de encontrar uma ótima diretoria e grandes jogadores como Castilho, Pinheiro, Didi, Escurinho, Jair Santana, Altair... Éramos uma equipe de amigos. Tive a sorte de ser o goleador máximo daquele time e até hoje as pessoas se lembram de mim por causa disso. Ando pela rua e sou saudado pelos tricolores. Nunca esperava por isso - afirmou na ocasião.

Pelo Fluminense, Waldo conquistou o Campeonato Carioca de 1959 e duas edições do Torneio Rio-São Paulo: 1957 e 1960. O sucesso nas Laranjeiras o levou à Seleção Brasileira.

 
Clínica onde vive Waldo, em Valência (Foto: Alberto Iranzo)Clínica onde vive Waldo, em Valência (Foto: Alberto Iranzo)

Clínica onde vive Waldo, em Valência (Foto: Alberto Iranzo).

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