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Segurança de professores nos presídios foi questionada meses antes de fuga com reféns

Tocantins

Segurança de professores nos presídios foi questionada meses antes de fuga com reféns

Sindicato mandou ofício cobrando informações em junho deste ano, mas não houve resposta do estado. Professora feita refém foi libertada quase 30 horas depois.

 

Professora foi feita refém por criminosos — Foto: Arquivo PessoalProfessora foi feita refém por criminosos — Foto: Arquivo Pessoal

Professora foi feita refém por criminosos — Foto: Arquivo Pessoal

Três meses antes da professora Elisângela Mendes Sobrinho, de 43 anos, ser usada como escudo humano por presos durante uma fuga, o sindicato que representa a categoria enviou um ofício cobrando esclarecimentos sobre a atuação dos profissionais da educação que trabalham no sistema prisional do Tocantins. O caso foi registrado na tarde desta terça-feira (2) no presídio Barra da Grota, em Araguaína.

Ao todo, 28 presos escaparam da unidade pela porta da frente após uma rebelião. Destes, 10 foram mortos em confronto com a polícia, um detento se entregou após ser ferido. Marcos Phablo Soares de Carvalho e Lázaro Carneiro Gonçalves foram recapturados pela polícia na manhã desta quinta-feira (4). As buscas continuam para encontrar os outros 15 que estão soltos.

A professora e o chefe de plantão do Presídio Barra da Grota, Roberto Aires, foram liberados mais de 24 horas depois. O grupo não está mais com reféns.

No documento, o sindicato pede informações sobre a estrutura de segurança para que as aulas fossem dadas dentro dos presídios. Também questiona como são feitas as seleções dos profissionais e se eles passam por alguma formação específica.

Até o momento, não houve resposta ao documento por parte do estado. "Precisamos averiguar sobre quais as condições são asseguradas aos profissionais da Educação dentro dos presídios", questionou Furtado, afirmou o secretário-geral do Sintet, Carlos de Lima Furtado.

O Governo do Tocantins disse que a segurança nas unidades é feita por agentes penitenciários de acordo com a demanda específica de cada uma delas. Informou ainda que o objetivo é dar oportunidade para a recuperação e reinserção dos alunos na sociedade.

A Secretaria de Educação disse que medidas adicionais de segurança e formação dos profissionais da educação prisional serão planejadas, em parceria com os órgãos de segurança pública do Tocantins, com o objetivo de dar mais segurança e qualificação a esses profissionais que atuam no sistema prisional.

 
Vídeo mostra professora sendo levada como refém
G1 TO
Vídeo mostra professora sendo levada como refém

Vídeo mostra professora sendo levada como refém

 

Agentes prisionais

 

A Associação dos Agentes Penitenciários (Pró-Sispen) afirmou ao G1 que o sistema penitenciário está desestruturado com superlotação, condições insalubres e fossas a céu aberto. Os profissionais cobram melhores condições de trabalho e afirmam que há o risco de uma crise sem precedentes.

Pois, são constantes os casos de tentativas de fugas, explosões em muros, rendição de agentes e "agora chega ao ápice: presos mortos e agentes e professora de refém."

A associação também cobrou investimento em equipamentos, melhores condições de trabalho e pagamento de verbas salariais determinadas pela lei. "Essa tragédia é anunciada constantemente. O Sistema Prisional está corroído. Ele simplesmente é todo desestruturado. Não reeduca. Os egressos saem piores do que quando entraram. Tanto a situação dos agentes quanto dos presos são degradantes", informou em nota.

Segundo a Secretaria de Cidania e Justiça, responsável pelo sistema prisional, a capacidade legal do Barra da Grota é de 480 presos. Antes da fuga, a unidade tinha 493 homens, distribuídos em três pavilhões.

 

Entenda

 

A rebelião teve início às 14h40 e seguiu até às 16h, nesta terça-feira (3), quando o grupo saiu do presídio. Ao todo, 28 presos escaparam levando dois reféns. Dez criminosos foram mortos em confronto com a polícia e os demais seguem foragidos.

A rebelião começou dentro da sala de aula da unidade. Seis pessoas foram feitas reféns, mas quatro ficaram feridos e foram deixados pelos criminosos. Entre os feridos estão os agentes penitenciário Mark Alves Garcia de Sousa, de 31 anos, e Magnun Alves Garcia de Sousa, de 28 anos; além de um funcionário de uma empresa terceirizada, Adssandro Alves Pereira. Eles foram internados e não correm risco de morrer.

A professora Elisângela Mendes Sobrinho, de 43 anos, e o chefe de plantão da unidade, Roberto Aires, foram levados pelos fugitivos e estão desparecidos há mais de 20 horas.

Homens da Polícia Militar, Polícia Civil e do sistema penitenciário ainda estão procurando pelos fugitivos em uma área de mata. Cães farejadores também são utilizados. O helicóptero da Segurança Pública também ajuda nas buscas com homens armados.

O governo do estado informou que o governador Mauro Carlesse (PHS) enviou secretários e o chefe da Polícia Militar para Araguaína, onde vão acompanhar as buscas. A ordem é de resgatar os reféns e negociar um fim pacífico para a fuga.

 
Fuga aconteceu no presídio Barra da Grota — Foto: Seciju/DivulgaçãoFuga aconteceu no presídio Barra da Grota — Foto: Seciju/Divulgação

Fuga aconteceu no presídio Barra da Grota — Foto: Seciju/Divulgação.

G1

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